domingo, 26 de novembro de 2017

Raul Seixas e a Contracultura

Foi com a música que  Raul Seixas criticou a governo e encontrou uma maneira de debochar do conformismo nacional frente ao milagre econômico . Isto  ficou evidente em seu primeiro álbum solo Krig-ha, Bandolo!, lançado em 1973 em pleno governo Médice.
 A música Ouro de Tolo reduziu a nada as vantagens ilusórias ofertadas pela ditadura, demonstrando assim uma forma de contracultura.
No ano seguinte, Raul apresentava ao público sua versão da “Sociedade Alternativa”: “Faze o que tu queres, pois é tudo da lei”, cantou Raul Seixas.



Ouro De Tolo (Raul Seixas)

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome
Por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "E daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Pra ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social

Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador




Poesia Marginal

Movimento literário da contracultura da poesia brasileira


CONTRANARCISO
em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

Paulo Leminski

domingo, 12 de novembro de 2017

Super Herói sem capa!



A aula do dia 08 de novembro, foi regada de muita emoção com a mostra dos vídeos dos grupos, fomos surpreendidas por relatos e entrevistas que fizeram da nossa noite muito especial e comovente.
O grupo da colega Vanessa, trouxe a história de uma menina de rua, que superou todos os desafios, sofrimentos, perdas e descriminação que a violência e as dificuldades de viver na rua trás para a vida de uma pessoa, mas ela nunca desistiu de ir em busca de seus sonhos e hoje vive com uma família que lhe acolhei com amor, e assim conseguiu estudar e lutar por seus ideais.
A colega Naiara trouxe a história de uma menina que vive em um abrigo, com seu irmão e mesmo assim, estuda e também luta por seus ideais.
Outras lindas histórias foram contadas nessa noite de grandes aprendizagens e superação de vida.
E o meu grupo, composto por mim e as colegas: Camila Coitinho, Daniela Ramalho e Michele, apresentou:
O vídeo sobre um Super Herói sem capa!
Contamos um pouco da história do tio Benoni, homem negro, humilde, funcionário público, atuante a 17 anos na Emei Carinha de Anjo, fazendo os mais diversos trabalhos, de acordo com a necessidade da escola.
Este funcionário mesmo com todas as dificuldades econômicas e raciais que enfrenta, encontra na escola um porto seguro, um lugar acolhedor onde os olhos das crianças conseguem ver o herói por trás de todo sofrimento. Percebemos que é lá que ele recarrega suas energias auxiliando também as crianças no seu processo de aprendizagem, justo ele que não teve essa oportunidade de concluir os estudos, mas que a bagagem de vida nos enche de ensinamentos.
Nosso herói não usa capa, não voa, mas tem super poderes: Um sorriso generoso, um abraço acolhedor, uma palavra de conforto, uma paciência de elefante e ainda sabe arrumar um chinelinho com prego, como ninguém. Ele não salva donzelas indefesas, mas é capaz de transformar o dia de muitas crianças da EMEI Carinha e Anjo, em Canoas.
Ele conta a sua trajetória na escola, prefeitura e seus sentimentos em relação a escola.
O tio Benoni com toda sua humildade e carisma, conquista a todos do ambiente escolar, ele está sempre com um sorriso no rosto e uma palavra amiga, as crianças adoram estar ao redor do tio no pátio, alguns pegam a vassoura pequena para ajuda-lo a varrer o pátio.


Nosso protagonista é respeitado por todos, e faz parte da história da Emei Carinha de Anjo.




domingo, 29 de outubro de 2017

Falando sobre "Diversidade", com o Maternal I

Por se tratar de uma turma de maternal I (2 a 3 anos), usei o livro “Tudo bem ser Diferente”, para falar sobre diversidade.
Em uma rodinha primeiramente conversamos sobre os diversos tipos de pessoas que existem, pedi para que eles falassem se conheciam pessoas que andavam em cadeiras de roda, que usavam óculos e etc, mas como se trata de crianças muito pequenas, ouve pouco retorno na conversa.
Então após a rodinha, passei a contar a história do livro, onde alguns riram bastante quando aparecia algo engraçado, como os animais coloridos, o menino sem os dentes e outros, após a leitura falei a eles que todas as pessoas devem ser tratadas com respeito, e fiz algumas comparações entre nós, como: tamanho, cor de cabelo, se o cabelo era liso ou crespo, quem era magra, gordinha, quem usava óculos, cor de pele. As crianças que se expressam com mais clareza faziam alguns comentários: Prof. O cabelo da B é comprido, o C usa óculos.
Após a conversa proporcionei a eles um jogo de quebra cabeça de duas peças, onde eles poderiam unir a peça que formava o personagem da história, ou formar uma pessoa diferente, a maioria das crianças formaram o personagem, somente uma formou um rosto diferente.
Acredito que abordei a diversidade existente entre as pessoas com minha turma, de uma forma simples e lúdica, respeitando a faixa etária em que eles se encontram, mas sem deixar de falar sobre esse assunto tão importante que é o respeito as diferenças, como diz no capitulo I do texto "Educação na e para a diversidade: nexos necessários" de Maria Elly Herz Genro, Célia Elizabete Caregnato:
O reconhecimento da nossa condição ontológica como seres humanos iguais e diferentes (Arendt, 2000), é um pressuposto básico para a compreensão sobre a diversidade presente no cotidiano escolar, como fonte de convivência, de aprendizagem e de enriquecimento das relações no cotidiano dos diferentes espaços educativos.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Conceito de Igualdade



Esta imagem estava circulando nas páginas do facebook, e podemos através dela explicar um dos conceitos que mais causa conflitos, que é o conceito de igualdade.

A figura  a cima nos mostra a capacidade de termos um olhar para com o outro, não esquecendo que a equidade faz parte do senso de justiça, o respeito a igualdade, pois na primeira imagem nos aparece uma situação de desigualdade, e na outra percebemos que o menino maior cedeu a caixa para o menor para assim se fazer a igualdade, pois está é um direito de todos. Sabemos que a diversos tipos de diversidade e diferenças em ter as pessoas, e que todas devem ser respeitadas, independentemente da situação, o que é direito de um é de todos.
Se fossemos nos basear em uma das concepções sobre igualdade, o certo estaria na primeira figura, onde cada um ganhou igualmente uma caixa, pois este seria considerado o conceito certo para igualdade , mas se assim fosse a criança menor não conseguiria assistir ao jogo, então baseando-se na segunda concepção sobre igualdades de direito o menino maior passa sua caixa para o menor, pois ele tem tamanho suficiente para assistir o jogo, enquanto o outro não,fazendo assim o direito de igualdade a todos em assistir ao jogo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Crocodilos e Avestruzes


Na aula presencial com a professora Gabriela debatemos sobre o texto de Ligia Assumpção Amaral, onde conseguimos entender melhor o que ela quis nos passar com o referente texto e assim me dei por conta que muito do que ela se refere, ainda acontece frequentemente dentro dos âmbitos escolares, muitas vezes percebi em minhas colegas e até mesmo minhas, algumas atitudes que condiz ao que Ligia se refere no texto, pois muitas vezes acabamos generalizando indevidamente as crianças que chegam até nós em nossas salas de aula apresentando algum tipo de deficiência, limitando-as por suas incapacidades, esquecendo de analisar suas potencialidades, um exemplo simples disso é uma educadora não propor uma atividade que envolva movimentos com os braços a um aluno que apresenta dificuldades motoras nas pernas, o educador deve ter um olhar atento e não deixar de proporcionar aprendizagens aos seus alunos, independentemente de suas condições físicas e sensorial, a educação é única para todos. Também nos deparamos com o medo ou até mesmo pânico de receber e conviver diariamente com um aluno com deficiência, por motivos diversos como: a angustia de não saber o que fazer por falta de capacitação adequada, sentindo-se muitas vezes incapaz de saber lidar com naturalidade e igualdade esse aluno, assim já gerando um tipo de preconceito, pois penso que a partir do momento que não aceitamos um aluno por ser portador de algum tipo de deficiência seja por qualquer que seja o motivo, se está cometendo um ato de discriminação e preconceito com certeza.
Como diz a autora essas experiências certamente nos levam a afirmar que esse é um assunto que deve ser sempre retomado, pois nós educadores temos muito o que evoluir e aprender sobre a diversidade, sobre como a escola deve ser um espaço único de aprendizagem, onde qualquer sujeito, independentemente de suas condições físicas e sensoriais tem o direito e dever de fazer parte integrante desse meio, participando ativamente de todas as atividades proporcionadas dentro de suas capacidades, e não se sintam em desvantagem por apresentarem deficiência ou algum tipo de incapacidade, é dever da escola e educadores acolher e auxiliar na integração social desses alunos.
                                                                                                                                                                                                                       

 Ainda é uma longa caminhada a ser percorrida, mas aos poucos os crocodilos aprendem a ver o outro com igualdade, tirando o foco da incapacidade referente ao estado físico da pessoa, ou até mesmo perdendo o hábito de achar que todo deficiente é igual e tem que ser tratado da mesma maneira, esquecendo que todos somos seres únicos.


                                                                                                                                                                                                                                        Assim também os avestruzes vão se desfazendo, deixando as desculpas de lado, parando de fingir que não está vendo a necessidade do outro, deixando de justificar suas atitudes com afirmações que considera ser ideal pra escapar do compromisso educacional para com o outro.


domingo, 15 de outubro de 2017

Desenvolvimento Cognitivo


Segundo Piaget a aprendizagem/conhecimento é um processo que se inicia desde o nascimento, e sua evolução acontece de forma gradativa, a partir da interação com o meio, sua teoria sobre o desenvolvimento cognitivo está centralizada nas fases do desenvolvimento, dividida em quatro estágios:

Sensório-motor (0 a 2 anos) – percepções sensoriais, a criança se baseia em esquemas motores para resolver seus problemas, que são práticos, construídos a partir de reflexos.

Pré-operatório (2 a 7 anos) – é marcado pelo aparecimento da linguagem oral.

Operatório concreto (7 aos 11 anos) – o pensamento passa a ser lógico e objetivo, sendo capaz de construir um conhecimento.

Operatório formal (11 anos em diante) – o pensamento se torna livre das limitações da realidade concreta, se torna capaz de raciocinar logicamente.

Entende-se que todos nascemos com a capacidade de adaptar-se ao meio e de assimilar e acomodar os objetos externos, em busca de um equilíbrio, a teoria Piagetiana diz que a inteligência é o resultado de uma adaptação biológica, onde o organismo procura o equilíbrio entre a assimilação e acomodação para organizar o pensamento.
Desde modo a criança ao se adaptar a uma nova situação procura coloca-la em conhecimentos anteriores (assimilação), mas em determinados momentos são  necessárias modificações nessa assimilação (acomodação), para que se compreenda a nova situação.
De uma forma geral essas quatro fases são vivenciadas na mesma sequência, contudo seus inicios e términos podem variar de acordo com a estrutura biológica de cada indivíduo.